Doutrina

Cristã Ortodoxa

 

(Baseada nos ensinamentos da teologia Ortodoxa)

 

I. A Fé Crista Ortodoxa

 

 

Conteúdo:

Introdução.

A Revelação Divina.

A Sagrada Tradição e as Sagradas Escrituras.

As Partes Gerais da Doutrina Cristã Ortodoxa.

A "Profissão de Fé Ortodoxa."

As Partes Integrantes do "Credo"

Deus em geral e o Deus Pai — a Primeira Pessoa da Santíssima Trindade.

Sobre o Sinal da Santa Cruz.

Sobre Deus.

Sobre a Criação do Mundo, Os Anjos e Satanás.

Sobre o Homem, o Paraíso e o Pecado dos Primeiros Homens.

Sobre o Destino, a Graça, e a Providência Divina.

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade — O Filho de Deus.

A encarnação do Filho de Deus.

A Terra Santa.

Jesus-Messias.

Os padecimentos e a morte de nosso Senhor.

A ressurreição de Jesus Cristo.

E subiu aos Céus e sentou-se à direita do Pai.

A segunda vinda de nosso Senhor à terra.

A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade — O Espírito Santo.

 

 

Introdução

"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos Céus" (S. Mateus: 5:16).

"Conserva a modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Jesus Cristo" (2 Tim: 1:13).

 

 

1. O que denominamos "A Doutrina Cristã?"

Denominamos "Doutrina Crista, a ciência que trata da fé cristã Ortodoxa, ministrada a todo cristão, com o objetivo de instrução no caminho que deve trilhar, para bem servir a Deus e conseguir a salvação da alma.

2. O que devemos fazer para bem servir a Deus e conseguir a salvação eterna?

A fim de bem servir a Deus e conseguir a salvação eterna, devemos:

1. Conhecer o Deus verdadeiro;

2. Possuir a fé inabalável nele;

3. Viver de acordo com a, fé, fazendo sempre o bem.

3. Por que a fé em Deus é absolutamente necessária para a salvação?

Pois como dizem as Sagradas Escrituras: "Sem a fé é impossível agradar a Deus" (Hebr. 11:6), e também: "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (S. Marcos. 16:16).

4. Por que se exige também uma vida de acordo com a fé e as obras do bem?

Pois as Sagradas Escrituras nos ensinam: "A fé sem as obras é morta" (S. Tiago. 2:20).

5. O que é a fé?

S. Paulo explica-nos que a fé é "O firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" (Hebr. 11:1).

A fé é, portanto, a certeza daquilo que não podemos ver e o desejo e esperança da eterna salvação.

6. Em que consiste a diferença entre a ciência e a fé?

A ciência estuda tudo que podemos ver e compreender.

A fé ocupa-se com aquilo que não podemos ver e raramente conseguimos compreender.

A ciência está apoiada nas pesquisas.

A fé apoia-se na confiança absoluta às revelações da verdade.

A ciência é objeto do intelecto (cérebro), podendo ter uma influência no coração humano (sentimentos).

A fé é objeto do coração, embora nasça no pensamento humano.

7. Por que devemos estudar a Religião?

Porque a Religião é a mais importante das ciências humanas: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mat. 16:26).

Devemos prestar a máxima atenção às aulas de Religião, estudando com o maior empenho possível, para que as verdades se gravem profundamente nos nossos corações e para que possamos atingir a salvação de nossas almas.

8. Por que é necessária não somente a sabedoria, mas antes de tudo a fé, para podermos atingir a salvação eterna?

Porque o estudo da Religião divulga as verdades sobre Deus, que é invisível e impossível de descrever; a sabedoria Dele está escondida em grandes mistérios, disto se compreende, que uma parte do estudo da Religião não pode ser compreendida por meios comuns (cérebro), podendo ser sentida com auxílio da fé.

Diz São Cirílo de Jerusalém: "A fé é o olho que ilumina toda a consciência, a fé torna o homem consciente.

Diz o profeta Isaías: "Se não crerdes, certamente não ficareis firmes" (Is. 7:9).

Ensina também São Cirílo: "Não somos nós os únicos, denominados Cristãos, que consideram a fé como sendo algo de muito elevado, mas tudo o que está acontecendo no mundo, mesmo entre os homens de outras crenças, faz-se por intermédio da fé.

Na fé está apoiada a agricultura; pois se o agricultor não tivesse fé em conseguir uma colheita proveitosa, não teria empenhado todos os seus esforços... Pela fé dirigem-se os marujos, etc. (Ensinamentos: 5).

A Revelação Divina

9. Onde buscamos os ensinamentos sobre a Fé Crista Ortodoxa?

Buscamo-los na Revelação Divina.

10. Que é Revelação Divina?

Chamamos Revelação Divina tudo aquilo que o próprio Deus revelou aos homens, para que estes possam acreditar Nele verdadeiramente, conseguir a eterna salvação e apresentar-lhe constantemente o mais condigno louvor.

11. Deus a todos os homens deu a Revelação Divina?

Sim, Deus deu a todos os homens a Revelação Divina, pois ela conduz à salvação eterna, sendo absolutamente necessária a todos.

A Revelação Divina não podia ser oferecida aos homens diretamente; por isto Deus escolheu para este fim pessoas especialmente piedosas e boas, que receberam de Deus a Revelação, transmitindo-a em seguida aos homens, desejosos em recebê-la.

12. Por que os homens não estão aptos a receber a Revelação Divina?

Devido à imensidade de pecados e à fraqueza do corpo e da alma.

13. Por intermédio de quem revelou Deus tudo aquilo em que devemos crer?

A primeira Revelação Divina foi feita a Adão, em seguida a Noé, depois a Abraão, Moisés e outros profetas. Em toda plenitude, porém, e em toda perfeição apresentou a Revelação Divina aos homens o incarnado Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, que a divulgou e expandiu pelo universo todo por intermedio dos Seus santos discípulos — o apóstolos.

Diz São Paulo: "Antigamente havia Deus falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, a nós nos falou nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo" (Hebr. 1:1-2).

O mesmo apóstolo diz também: "Falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; mas Deus no-las revelou pelo Seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus". (1ª Cor.: 2; 7, 8, 10) E também São João Evangelista diz: "Deus nunca foi visto por alguém, o Filho Unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer" (S. João. 1,18).

O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar" (S. Mat. 11:27).

14. Pode o homem conhecer a Deus sem uma Revelação Divina?

O homem pode conhecer a Deus pela observação do mundo visível. Êste conhecimento, porém, é incompleto imperfeito, podendo servir apenas como preparação para o nascimento da verdadeira fé, sendo um auxílio para o conhecimento de Deus dentro da Revelação Divina. "Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu eterno poder, como a Sua Divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas" (Rom. 1,20).

"E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós. Porque Nele vivemos e nos movemos e existimos" (Atos 17:26-28).

"Meditando sobre a fé em Deus, predomina o pensamento que Deus existe; conseguimos êste pensamento observando as coisas criadas. Pesquisando com empenho a criação do mundo, chegamos a conhecer que Deus é universalmente sábio, todo-poderoso, bom; conhecemos também as Suas qualidades invisíveis. Desta forma aceitâmo-lo como Poder -Supremo. já que Deus é Criador do mundo e nós mesmos fazemos parte dêste mundo, torna-se obvio, que Deus é também o nosso Criador. Como conseqüência da compreensão desta verdade surge a fé, pela qual prestamos a Deus o nosso louvor e a nossa homenagem (Basílio o Grande, Epistola 232).

15. Podemos compreender as Verdades Reveladas por meio do cérebro (intelecto)?

Algumas Verdades Reveladas podemos compreendê-las por meio do cérebro (intelecto); muitas, porém, nenhum cérebro humano seria capaz de explicar ou compreender.

16. Como se chamam as Verdades Reveladas, que não podem ser explicadas ou compreendidas pelo cérebro humano?

As Verdades Reveladas impossíveis de compreender ou explicar, chamam-se Mistérios da Fé.

 

A Sagrada Tradição

e as Sagradas Escrituras

17. De que maneira difundiu-se a Revelação Divina entre os homens, sendo conservada pela verdadeira Igreja de Deus?

De dois modos:

    1. Pela transmissão verbal de Verdades Divinas de pai a filho, conhecida pelo nome da Sagrada Tradição.
    2. Pelas Escrituras Sagradas que têm o nome de Bíblia.

18. Como devemos compreender o significado da denominação: A Sagrada Tradição?

Pela Sagrada Tradição devemos entender tudo aquilo que sobre a verdadeira fé, os mistérios, etc., os nossos genuinamente piedosos e crentes ancestrais transmitiram aos seus filhos, estes, por sua vez, deixaram essas verdades aos seus filhos e assim por diante, chegando desta forma até aos nossos dias.

19. Onde a Sagrada Tradição se acha conservada de modo infalível?

Todos os verdadeiros crentes, unidos pela Sagrada adição da Fé, em perfeita união e hereditariedade, de acordo com as Leis Divinas, formam a Santa Igreja, que é justamente a eterna conservadora do tesouro da Sagrada Tradição. "Igreja de Deus Vivo, a coluna e firmeza da verdade" (1 Tim. 3:15). Diz Santo Irineu: "Não se deve procurar a Verdade no meio dos outros, pois é tão fácil encontrá-la no seio da Igreja. Pois, como numa riquíssima caixa de tesouros, haviam os apóstolos depositado em toda plenitude tudo que pertence à Verdade; qualquer um, pois, que deseja, pode obter dela a Água da Vida. A Igreja é a porta da Vida" (Tratado contra heresias — Livro 3, cap. 4).

20. O que são as Sagradas Escrituras?

São o conjunto de livros (obras), escritas sob a inspiração do Espírito Santo, por homens santificados por Deus, denominados Profetas e Apóstolos. Comumente chama-se este conjunto de livros: a Bíblia.

21. Que significa a palavra "Bíblia"?

A palavra "Bíblia" é de origem grega, e significa "Os livros."

Esta determinação indica também, que as Sagradas Escrituras são os livros mais importantes de todos que já foram escritos.

22. O que é mais antigo: a Sagrada Tradição ou as Sagradas Escrituras?

O meio mais antigo de divulgação da Revelação Divina foi a Sagrada Tradição. Dos tempos do primeiro homem, Adão, até Moisés, não havia Escritura Sagrada alguma. O próprio Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo, transmitiu os Seus divinos ensinamentos aos Apóstolos, por meio de palavras e de exemplos e não por intermedio de livros. Da mesma forma procediam no começo os Santos Apóstolos, que divulgavam as Verdades verbalmente, firmando os alicerces da Santa Igreja.

A necessidade da existência da Sagrada Tradição é evidente, pois dela pode tirar proveito um número muito maior de pessoas, do que das Sagradas Escrituras, já que nem todos sabem beneficiar-se dos livros.

23. Com que fim foram criadas as Sagradas Escrituras?

Para conservar a Revelação Divina de maneira precisa e inalterável.

Nas Sagradas Escrituras, pois, lemos as palavras proferidas por Profetas e Apóstolos, como se ouvíssemos as Verdades dos próprios lábios destes santos homens, apesar dessas obras divinas datarem de vários séculos ou até milênios.

24. Devemos sujeitar-nos à Sagrada Tradição, uma vez que possuímos as Sagradas Escrituras?

Sem dúvida alguma. Devemos sujeitar-nos à Sagrada Tradição, pois esta é diretamente coligada com a Revelação Divina e com as Sagradas Escrituras; assim, pois, as próprias Sagradas Escrituras nos dão o seguinte ensinamento: "Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa" (2 Tess. 2:15).

25. Por que então devemos considerar a Sagrada Tradição necessária, nos tempos atuais?

Para orientação e melhor compreensão das Sagradas Escrituras; para execução exata e perfeita dos Santos Sacramentos e para conservação pura e incorruptível dos rituais sagrados.

São Basílio Magno diz: "Alguns dogmas e ensinamentos da Igreja possuímos das fontes escritas, tendo obtido outros da tradição apostólica, hereditariamente e misteriosamente. Tanto estes, quanto aqueles possuem a mesma força" (Regra 97, Do Espírito Santo. Cap. 27).

26. Quando foram escritas as Escrituras Sagradas?

Uma parte foi escrita antes do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, e outra parte depois do nascimento do Salvador.

27. Em quantas partes principais dividem-se as Sagradas Escrituras?

As Sagradas Escrituras são divididas em duas partes principais: Antigo ou Velho Testamento e Novo Testamento.

28. Que significam as palavras: Antigo e Novo Testamento?

Significam: a antiga união de Deus com os homens e a nova união de Deus com os homens.

29. Quais são os espaços de tempo compreendidos pelos Antigo e Novo Testamentos?

O Antigo Testamento encerra o período antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, todos aqueles Livros Sagrados escritos antes da Era Cristã. O Novo Testamento inicia-se com a sagrada noite de Belém, quando Deus desceu à terra para salvar o gênero humano do pecado e da morte eterna. Os livros do Novo Testamento foram escritos após este acontecimento.

30. Em que consiste a antiga união de Deus com os homens (O Velho Testamento)?

Consiste em promessa solene, dada aos homens pelo Deus Todo-poderoso, de que mandaria o Divino Salvador para salvar os homens dos seus pecados. Consistia também em preparar a humanidade para receber o Filho de Deus.

31. De que maneira preparou Deus os homens para receberem o Salvador?

Por meio de Revelações, Profecias e Ensinamentos.

32. Em que consiste a nova união de Deus com os homens (O Novo Testamento)?

Consiste no fato de Deus ter oferecido realmente o Seu Filho Unigênito, o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, para salvar o gênero humano.

33. De quantos livros estão constituídas as Sagradas Escrituras do Antigo Testamento?

Os Santos Cirílo de Jerusalém, Atanásio o Magno e João Damasceno contam 22 destes livros sagrados, seguindo o exemplo dos antigos hebreus, que mantiveram este cálculo nas suas tradições. (S. Atan. Epistola 39; S. João Damasceno: Teologia — Livro 4, cap. 17).

34. Por que devemos seguir o sistema adotado pelos hebreus?

Diz o Apóstolo Paulo: "Porque, primeiramente as palavras de Deus lhes (aos Hebreus) foram confiadas" (Rom.3:2). A nova união de Deus com os homens, representada pela Santa Igreja Cristã Ortodoxa, que herdou as Escrituras Sagradas do Antigo Testamento, da Igreja da Antiga União de Deus com os homens — a hebraica.

35. De que forma os Santos Cirílo e Atanásio apresentam as Escrituras Sagradas do Antigo Testamento?

Eis a ordem pela qual as Escrituras do Antigo Testamento são apresentadas:

1- Gênesis (livro da criação) — 1 livro de Moisés.

2- Êxodo — 2 livro de Moisés.

3- Levítico — 3 livro de Moisés.

4- Números — 4 livro de Moisés.

5- Deuteronômio (Segunda legislação) — 5 livro de Moisés.

6- Jesus Navin (Josué).

7- Juizes, coligado com o livro de Ruth, na forma de suplemento.

8- 1 e 2 livro dos Reis em conjunto com os 1 e 2 livros de Samuel em forma de dois volumes de uma só obra.

9- 3 e 4 livro dos Reis.

10- 1 e 2 livro de Crônicas (Paralipômenos).

11-1 livro de Esdras e 2 livro do mesmo, chamado, porém, em grego — livro de Neemias.

12-Ester.

13- Jó.

14- Salmos.

15- Provérbios do rei Salomão.

16- Eclesiástes (Ensinamentos do mesmo rei).

17- Cantares do rei Salomão.

18- Isaías.

19- Jeremias.

20- Ezequiel.

21- Daniel.

22- Dos doze profetas: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Nahum, Habacuc, Sofonias, Ageo, Zacarias, Malaquias.

36. Por que nestes 22 livros não se fala do livro da Sabedoria, dos livros de: Sirah, Tobias, Judith e dos dois livros dos Macabeus?

Porque estes livros não existem em idioma hebraico.

37. Como devemos encarar estas últimas obras?

Diz Santo Atanásio Magno: "Elas estão destinadas para a leitura daqueles que desejam aderir ao Cristianismo.

38. De que forma se dividem os livros do Antigo Testamento quanto ao seu conteúdo?

Dividem-se nos quatro grupos seguintes:

    1. Os livros legislativos, q. d. aqueles que contêm ensinamentos sobre as Leis. A este grupo pertencem os 5 livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
    2. O próprio Senhor Jesus Cristo denominou estes livros de "Leis Mosaicas" (S. Lucas 24:44).

      Estes livros representam a base principal na qual se apoia o Antigo Testamento na sua totalidade.

    3. Os livros históricos: Josué (Jesus Navin), Juízes, Ruth, os livros dos Reis, os livros das Crônicas, os livros de Ezdras e Ester.
    4. Os livros instrutivos: O livro de Jó, Os Salmos, Os Provérbios do rei Salomão, Eclesiastes e os Cantares do rei Salomão.
    5. Os livros proféticos: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel e os livros dos doze profetas menores.

39. Que há de importante no livro do Gênesis?

Neste livro encontramos a descrição da criação do universo e do homem, da história primordial da humanidade e do estabelecimento dos sentimentos religiosos entre os primeiros homens.

40. Sobre que tratam os outros quatro livros de Moisés?

Estes livros contam-nos a história da religiosidade nos tempos de Moisés, como também sobre as Leis por ele recebidas do próprio Deus.

41. Que devemos saber sobre o livro dos Salmos?

O livro dos Salmos não somente ensina e eleva a alma às práticas piedosas, mas contém ainda um número considerável de profecias sobre a sagrada pessoa do Salvador. Este livro admirável é um guia magnífico para as preces e a glorificação de Deus, sendo constantemente utilizado em todos os rituais da Santa Igreja Cristã Ortodoxa.

42. Quantos livros contêm as Escrituras Sagradas do Novo Testamento?

Contêm vinte e sete livros. São esses:

43. Quais são?

São esses:

    1. Santo Evangelho de São Mateus.
    2. Santo Evangelho de São Marcos.
    3. Santo Evangelho de São Lucas.
    4. Santo Evangelho de São João.
    5. Os Atos dos Apóstolos.
    6. Epístola Universal de São Tiago.
    7. I Epístola Universal de São Pedro.
    8. II Epístola Universal de São Pedro.
    9. I Epístola Universal de São João.
    10. II Epístola Universal de São João.
    11. III Epístola Universal de São João.
    12. Epístola Universal de São Judas.
    13. Epístola de São Paulo aos Romanos.
    14. I Epístola de São Paulo aos Corintios.
    15. II Epístola de São Paulo aos Corintios.
    16. Epístola de São Paulo aos Gálatas.
    17. Epístola de São Paulo aos Efésios.
    18. Epístola de São Paulo aos Filipenses.
    19. Epístola de São Paulo aos Colossenses.
    20. I Epístola de São Paulo aos Tessalonicenses.
    21. II Epístola de São Paulo aos Tessalonicenses.
    22. I Epístola de São Paulo a Timóteo.
    23. II Epístola de São Paulo a Timóteo.
    24. Epístola de São Paulo a Tito.
    25. Epístola de São Paulo a Filemon.
    26. Epístola de São Paulo aos Hebreus.
    27. Apocalipse de São João.

44. Qual é o outro meio de formular as partes do Novo Testamento?

Podemos discriminar os livros do Novo Testamento da seguinte forma:

    1. Os quatro Evangelhos.
    2. Os Atos dos Apóstolos.
    3. Uma Epístola de São Tiago.
    4. Duas Epístolas de São Pedro.
    5. Três Epístolas de São João.
    6. Uma Epístola de São Judas.
    7. Quatorze Epístolas de São Paulo.
    8. misterioso Apocalipse de São João.

45. De que forma discriminamos os livros do Novo Testamento quanto ao seu conteúdo?

De acordo com o seu conteúdo recebem os livros do Novo Testamento a seguinte discriminação:

    1. Os livros legislativos, que são a base principal da nova união de Deus com os homens e levam o nome de Evangelhos.
    2. livro histórico, denominado Atos Apostólicos ou Atos dos Apóstolos.
    3. Os livros instrutivos, que são as Sete Epístolas Universais dos santos apóstolos: Tiago, Pedro, João e Judas e também as catorze Epístolas do santo apóstolo Paulo.
    4. livro profético, que é o Apocalipse do santo apóstolo São João Teólogo.

46. Que quer dizer a palavra Evangelho?

Evangelho é uma palavra grega e significa "Boa Nova" ou então uma "Mensagem feliz (alegre)."

47. Sobre que assunto tratam os Santos Evangelhos e qual é a razão do próprio nome "Evangelho?"

Nos Evangelhos fala-se sobre a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo; da Sua chegada à terra e da Sua vida entre os homens; dos milagres que fez; dos maravilhosos ensinamentos que deixou aos Seus discípulos; das endoenças e da morte na cruz e finalmente da ressurreição e ascensão aos Céus, onde reina com Deus Pai e Deus Espírito Santo em supremo mistério da Santíssima Trindade.

Em virtude de ser a mensagem sobre a chegada do Salvador dos homens, ao mesmo tempo a mensagem da eterna salvação, consideramo-la como sendo a mais feliz de todas as novas. Assim se explica o alegre canto "Glória a ti Senhor!" após a leitura do Santo Evangelho na igreja.

48. Sobre que assunto tratam os Atos Apostólicos e quem é o autor desta obra?

Nos Atos Apostólicos chegamos a conhecer o modo pelo qual se constituiu a Santa Igreja Cristã Apostólica e Ortodoxa; do dia em que o Espírito Santo pousou nos apóstolos e da divulgação das Sagradas Verdades da nossa religião pelos santos apóstolos.

Esta obra maravilhosa foi escrita pelo santo apóstolo Lucas.

49. Que significa a palavra apóstolo?

A palavra apóstolo é de origem grega e significa enviado ou mensageiro.

Com este nome chamamos os discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo, enviados pelo Divino Mestre ao mundo para pregação do Evangelho.

50. Que significa a palavra Apocalipse, e sobre que assunto trata este livro?

Esta palavra é, também, de origem grega e significa Revelação. Nesta obra profética é apresentado em forma misteriosa o futuro da Santa Igreja Cristã e do mundo.

51. Como devemos ler as Sagradas Escrituras?

Devemos lê-las:

    1. Piedosamente e com divino respeito, pois é desta forma que deve ser lida e estudada a Palavra de Deus; rezando para que as Sagradas Palavras cheguem à nossa compreensão.
    2. Com sinceras intenções, a fim de que a leitura possa instruir-nos na Fé e levar-nos aos atos do Bem.
    3. Meditando e compreendendo-as de acordo com as explicações da Santa Igreja Apostólica Ortodoxa.

52. Quais são os outros indícios, que demonstram serem as Sagradas Escrituras — a Palavra de Deus?

São estes os indícios da divindade das Palavras das Sagradas Escrituras:

    1. A magnitude do ensinamento, que demonstra não ter podido nascer no intelecto humano, mas sim ter encontrado origem na própria Sabedoria de Deus.
    2. A pureza e a sinceridade do ensinamento, demonstrando que descende do puríssimo Espírito Divino.
    3. As profecias, que são as predições extraordináriamente exatas dos acontecimentos futuros.
    4. Os milagres, que são curas do corpo e da alma causadas pela fé inabalável e pela graça de Deus; curas essas inexplicáveis do ponto de vista das ciências humanas oficiais.
    5. A atuação poderosíssima das verdades e ensinamentos, contidos nas Sagradas Escrituras, sobre os intelectos (cérebros) e corações (sentimentos) humanos, própria, única e exclusivamente do poder Supremo de Deus.

53. Que são as profecias?

São as predições exatas das coisas futuras, que não podem ser conhecidas de alguém, além do Deus Todo-Poderoso.

54. Por que consideramos as profecias o início da verdadeira revelação divina?

Explicaremos esta pergunta por meio do seguinte exemplo:

O profeta Isaías predisse com antecedência de vários séculos, o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo da Virgem Maria, fato este sob hipótese alguma sequer imaginado naquela longínqua época histórica. Não resta dúvida alguma de que as palavras desta profecia foram ditadas ao profeta Isaías pelo próprio Deus.

Sobre este assunto diz-nos o santo apóstolo Mateus: "Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta que diz: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, que traduzido é: Deus conosco" (Mat. 1:22-23).

55. Que são os milagres?

Os milagres são atos sobrenaturais, que não podem ser efetivados pela força humana ou conhecimentos humanos, não atingíveis por qualquer outra força natural, mas sim unicamente com participação direta da força infinita de Deus.

Exemplos: cura de moléstia incurável, ressurreição de um morto, etc..

56. Por que consideramos os milagres como sendo indício da verdadeira Palavra de Deus?

Porque, quem faz milagres, procede com graça do Poder Divino; disto se compreende que ele agradou a Deus de forma tão eficaz, que por intermédio dele Deus demonstrou as Suas forças supremas. Um homem que possui essas qualidades superiores, indubitavelmente só fala a Verdade. Por isso, tudo o que ele diz em nome de Deus deve ser considerado Verdade absoluta — a Palavra de Deus Vivo.

Nosso Senhor Jesus Cristo considerava os milagres um testemunho importantíssimo da Sua sagrada missão entre os homens: "As obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou" (S. João.5:6).

57. Em que nos apoiamos quando afirmamos a poderosa atuação do ensinamento cristão no espírito humano?

Apoiamo-nos no fato de que os doze apóstolos pertenciam à classe de homens iletrados; apesar do que conseguiram compenetrar-se ao fundo dos Divinos Ensinamentos do seu Mestre, divulgando o Evangelho e conduzindo ao Cristo os poderosos deste mundo: os reis, sábios e ricos e até povos inteiros.

 

As Partes Gerais

da Doutrina Cristã Ortodoxa

 

58. Em quantas partes dividimos a Doutrina Cristã Ortodoxa?

De acordo com o livro intitulado: "A Religião Ortodoxa," aprovado pelos Beatíssimos Patriarcas Ortodoxos do Oriente, consideramos como base da Doutrina Cristã a indicação do santo apóstolo Paulo, que nos ensinou como conduzir a nossa vida inteira pelos três princípios fundamentais: A Fé Cristã, a Esperança Cristã e o Amor Cristão (chamado também de Caridade). "Agora pois permanecem estas três: a Fé, a Esperança e a Caridade, mas a maior delas é a Caridade" (l-a Cor. 13:3).

Por isso necessita o Cristão:

    1. de ensinamentos divinos sobre a Fé, colhidos nas obras divinamente inspiradas (As Escrituras Sagradas) e nos mistérios Sagrados da Santa Igreja.
    2. de ensinamentos divinos sobre a Esperança e dos meios para se afirmar neles.
    3. de ensinamentos divinos sobre o Amor (Caridade) a Deus e a tudo aquilo que Deus nos indicou para ser amado.

59. De que forma nos ensina a Santa Igreja sobre a Fé?

A Santa Igreja ensina-nos sobre a Fé Cristã por meio do credo (profissão de Fé).

60. Em que nos baseamos, quando falamos sobre ensinamentos da Esperança Cristã?

Baseamo-nos na Oração ensinada pelo próprio Senhor Jesus Cristo, denominada "Pai nosso," que chamamos também "Oração do Senhor," e também nas "Bem-aventuranças Evangélicas."

61. Onde encontramos ensinamentos para compreensão do Amor Cristão (A Caridade)?

Nos 10 Mandamentos de Deus.

 

A "Profissão de Fé Ortodoxa"

62. A "Profissão de Fé Ortodoxa" denomina-se também o "Credo". Que significa esta palavra?

"Credo" é uma palavra latina, que significa "A Fé," sendo um-conjunto de Verdades escritas, que representam, em forma concentrada, tudo aquilo em que devem crer os Cristãos.

63. Como se apresenta em forma original e inalterada a "Profissão de Fé Ortodoxa?"

Esta é a forma original e inalterada:

1 . Creio em um só Deus Pai, Onipotente, Criador do Céu e da Terra, de tudo que é visível e invisível.

2. E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos.

Luz de Luz, Deus Verdadeiro de Deus Verdadeiro, gênito e não feito, consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas.

3. Que desceu dos céus por causa de nós homens, e por nossa salvação, e encarnou-se pelo Espírito Santo e da Virgem Maria e, se fez Homem.

4. E foi crucificado por nossa causa, sob o poder de Poncio Pilatos, padeceu e foi sepultado.

5. E ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras.

6. E subiu aos Céus e sentou-se à direita do Pai.

7. E novamente virá, com Glória, para julgar os vivos e os mortos e cujo Reino não terá fim.

8. E no Espírito Santo, Senhor Vivificante, que do Pai procede e que é com o Pai e o Filho adorado e glorificado, e que falou pelos profetas.

9. E numa só Igreja; Santa, Universal e Apostólica.

10. Confesso, também, um só Batismo para a remissão dos pecados.

11. E espero a ressurreição dos mortos.

12. E a vida de século futuro. Amém.

64. Qual é a denominação que se dá ao "Credo"?

Chamamos este Credo — a profissão de Fé "Niceo-Constantinopolitana." Esta denominação explica-se pelo fato de ter sido o "Credo" redigido pelos Santos e sábios Pais da Igreja nos dois primeiros Concílios Universais, que se realizaram nas cidades de Nicéia e Constantinopla, respectivamente.

65. O que é o Concílio Universal?

Denominamos Concílio Universal uma reunião de Pais e Ensinadores da Santa Igreja, Universal, Apostólica e Ortodoxa, vindos de preferência do mundo inteiro, para resolver as questões da Fé, Ética e Moral cristãs e estabelecer os alicerces da verdadeira e certa interpretação das Verdades Divinas.

66. Quais foram os Concílios Universais?

Houve sete Concílios Universais:

    1. Em Nicéia no ano 325 D. C.
    2. Em Constantinopla no ano 381 D. C.
    3. Em Éfeso no ano 341 D. C.
    4. Em Calcedônia no ano 451 D. C.
    5. Em Constantinopla no ano 553 D. C.
    6. Em Constantinopla no ano 680 D. C.
    7. Em Nicéia no ano 787 D. C.

67. Quais os assuntos deliberados nesses Concílios Universais?

Foram os seguintes:

    1. O primeiro Concílio Universal em Nicéia deliberou sobre a heresia de Ário, que dizia ser nosso Senhor Jesus Cristo somente homem inspirado por Deus e não a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Nessa reunião, foi condenada a doutrina errônea de Ário, sendo criados os primeiros 7 pontos do Credo.
    2. Seguindo o mau exemplo de Ario, que rejeitou a divindade de nosso Senhor, surgiu outro herege chamado Macedônio, que se atreveu a descrer da divindade da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Para condenar este horrível erro, foi convocado o segundo Concílio Universal em Constantinopla, que não somente afirmou sobremaneira a verdadeira Fé, mas também completou o "Credo" da Santa Igreja, deixando-o na forma utilizada até os nossos dias.
    3. O terceiro Concilio em Éfeso reuniu-se para condenar a Nestório, que espalhava crença errônea, ensinando que a Virgem Maria não era Mãe de Deus, mas sim só de um homem chamado Jesus, que era unido a Deus únicamente de modo espiritual.
    4. O quarto Concílio em Calcedônia julgou a doutrina errada de Eutíquio, o qual querendo combater Nestório, o causador do Concílio anterior, cometeu por sua vez erros ainda piores, recusando a nosso Senhor toda e qualquer parte humana. Neste Concílio foi definitivamente estabelecido, que nosso Senhor uniu em Si duas naturezas: A divina e a humana. A heresia de Eutíquio chama-se Monofisitismo, que quer dizer, em grego, uma só natureza.
    5. O quinto Concílio Universal em Constantinopla condenou as obras escritas pelos seguidores do herege Nestório (vide o terceiro Concílio Universal). contribuindo desta forma para a eliminação do perigo que representa a divulgação de doutrinas errôneas.
    6. Apesar dos esforços da Santa Igreja, eram constantes as rixas entre os verdadeiros seguidores da doutrina cristã, e os heréticos, seguidores de Nestório, condenado no 3o Concílio. Para abrandar os ânimos resolveu o Imperador Eráclio fazer aos heréticos algumas concessões, fato este que causou ainda piores transtornos no seio da Igreja. Os seguidores da nova corrente religiosa, que surgiu por motivo dessas concessões, passaram a chamar-se Monofelitas. A desunião dentro da Santa Igreja começou, no entanto, a ameaçar com piores conseqüências devido ao perigo que surgiu do lado dos seguidores do Maomé. (Foi um reformador árabe, que fundou uma religião própria baseando-se numa revelação, que dizia ter recebido do Arcanjo Gabriel. Essa religião caracteriza-se pela mistura das religiões hebraica e cristã, possuindo também vários elementos das religiões pagãs.
    7. Em vista disso foi convocado um novo Concílio Universal em Constantinopla, que condenou definitivamente os erros dos hereges, restabelecendo a Verdade, que nosso Senhor Jesus Cristo integrava não somente duas naturezas bem distintas (a divina e a humana) mas também duas vontades, não contrárias uma a outra, mas a vontade humana sujeita-se à vontade divina.

      Como complemento deste Concílio Universal foi convocado alguns anos depois outro Concílio, que costumamos chamar de quinto-sexto, pois representava a continuação das deliberações destinadas a afirmar as decisões dos quinto e sexto Concílios Universais. Este Concílio suplementar decidiu sobre a introdução na Igreja de 85 Regras Apostólicas, Regras dos 6 anteriores Concílios Universais, dos sete Concílios locais e a das Regras de alguns Santos Pais da Igreja. Essas Regras foram reunidas em um livro só, denominado "Nomocanon," que representa o principal documento legislativo da Igreja.

    8. O sétimo Concílio Universal foi convocado na cidade de Nicéia para condenação da heresia, que consistia em proibição de veneração e adoração das Imagens Santas (ícones), introduzida pelo próprio imperador Leão Issavr.

Além dos grandes 7 Concílios Universais houve vários Concílios locais de menor importância, entre os quais devemos destacar as reuniões em Anquira, Neocesárea, Gangra, Antióquia, Laodicéia, Sardiquia, Cartagena e os 1e 2 de Constantinopla.

As Partes Integrantes do "Credo"

(Os Artigos)

68. De que forma podemos conhecer a fundo os ensinamentos da Fé, guiando-nos pelo "Credo"?

A fim de facilitar aos fiéis a melhor compreensão dos ensinamentos da Fé, foi dividido o "Credo" em 12 artigos.

Meditando separadamente sobre cada um destes artigos, chegaremos a compreender a fundo as verdades sobre a Fé Cristã.

69. Sobre que tratam os artigos do "Credo"?

Os artigos do "Credo" falam sobre:

    1. Deus em geral e o Deus Pai — a Primeira Pessoa da Santíssima Trindade, — em particular.
    2. A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade — O Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.
    3. A encarnação do Filho de Deus.
    4. Os padecimentos e a morte de nosso Senhor.
    5. A ressurreição de Jesus Cristo.
    6. A ascensão do Filho de Deus.
    7. A segunda vinda de nosso Senhor à terra.
    8. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade — O Espírito Santo.
    9. A Santa Igreja.
    10. Sacramento do Batismo (compreendendo-se também os outros Santos Sacramentos).
    11. A esperança da ressurreição futura dos mortos.
    12. A esperança da vida eterna.

 

SOBRE O PRIMEIRO ARTIGO DA

"PROFISSÃO DE FÉ ORTODOXA"

 

 

Creio em um só Deus Pai, Onipotente,

Criador do Céu e da Terra, de tudo

que é visível e invisível.

70. O que significa "Crer em Deus"?

Crer em Deus significa possuir viva certeza da Sua existência, das Suas faculdades, da Sua perfeição e da Sua atividade, considerando verdade inabalável tudo aquilo que Deus revelou sobre Si próprio e sobre a salvação da humanidade.

"Ora, sem fé não se pode agradar a Deus: porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" (Hebr. 11:6).

A ação da fé no meio dos cristãos apresenta o santo apóstolo Paulo na seguinte oração: "Para que, segundo as riquezas da Sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo Seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes compreender perfeitamente, com todos os santos" (Efés. 3:16-18).

71. Como devemos crer?

Devemos crer:

A) Em tudo, sem exceção, que nos ensina a Santa Igreja Cristã Apostólica Ortodoxa.

    1. Devemos crer, sem nenhuma dúvida, ou incerteza e desprovidos de todo e qualquer espírito de criticísmo.
    2. Possuindo a fé viva e inabalável nas verdades reveladas.
    3. Professando nossa fé com sinceridade e permanentemente.

72. Que quer dizer professar a fé?

Professar a fé significa afirmar sempre e de maneira inabalável, que pertencemos à Santa Igreja Cristã Ortodoxa, fazendo isto com tanta sinceridade e firmeza, para que nem ameaças, nem persuasões, nem martírio, nem mesmo a própria morte possa forçar-nos a abandonar ou trair a verdadeira fé de Jesus Cristo.

Devemos manter a consciência do nosso dever cristão, como chama sempre viva e ardente, lembrando-nos do exemplo dos mártires, que seguiram o caminho espinhoso dos mais atrozes sacrifícios, com sorriso de felicidade nos lábios, tendo diante de si um único objetivo, uma única glória — O Deus Único, Verdadeiro, no Supremo Mistério da Santíssima Trindade.

73. Por que a profissão da fé é absolutamente necessária?

Diz o santo apóstolo Paulo: "Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação" (Rom. 10:10).

74. Por que é necessário para salvar-se, não somente crer em Deus, mas também professar a santa fé cristã Ortodoxa?

Pois, quem renunciaria ou abandonaria a Santa Fé Cristã Ortodoxa com intuito de obter quaisquer benefícios de ordem material ou para escapar de perseguições ou por outra qualquer razão, — renunciaria e abandonaria simultaneamente a própria verdadeira fé em Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo, na ressurreição dos mortos e na vida futura eterna e feliz dos eleitos de Deus. "E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma: temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo" (Mat. 10:28).

"Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante do meu Pai, que está nos Céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante do meu Pai, que está nos Céus" (Mat. 10: 32-33). .

75. É suficiente crermos superficialmente em tudo que Deus revelou?

Não é absolutamente suficiente ter fé superficial e imperfeita nas Verdades Reveladas. Devemos envidar os máximos esforços a fim de conhecer a fundo todas as verdades divinas e procurar chegar à compreensão dos Mistérios da Santa Igreja, pois só desta forma transformaremos nossa fé vacilante e fraca em fé inabalável e poderosa.

 

Sobre o Sinal da Santa Cruz

76. Com que sinal especial professam os cristãos Ortodoxos a sua santa fé?

O cristão Ortodoxo professa a sua fé, antes de tudo com o sinal da santa cruz.

Em todas as ocasiões da vida e em todas as circunstâncias, devemos lembrar-nos da presença de Deus, que vê tudo e sempre está presente a todos os nossos atos. Lembrando-nos do Todo-poderoso, devemos fazer o sinal da santa cruz, pois desta forma não somente professamos a verdadeira fé perante todos aqueles que nos cercam, mas também nos preservamos do mal, já que o sinal da santa cruz é um verdadeiro escudo contra o mal e o pecado.

Não devemos sentir acanhamento diante das pessoas presentes, nem devemos tanto menos recear quanto aquilo que essas pessoas vão pensar de nós. Lembremo-nos que fazendo o sinal da cruz publicamente, nos tornamos verdadeiros soldados do Cristo na luta pela Verdade Eterna no meio do mundo decadente e falho, que nos cerca.

"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a ' coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amaram a sua vinda" (2 Tim. 4:7-8).

77. Como fazemos o sinal da santa cruz?

Da seguinte maneira:

Unimos os dedos polegar, indicador e médio, simbolizando a Santíssima Trindade- unida em um só DEUS. Os dois dedos restantes colocamos na palma da mão simbolizando as DUAS NATUREZAS — divina e humana, que se uniram em nosso Salvador Jesus Cristo para salvar a humanidade.

Após ter colocado os dedos da forma acima indicada tocamos com as pontas dos dedos unidos primeiramente a fronte (a testa), pronunciando: "Em nome do Pai," em seguida passamos a mão para o peito dizendo: "e Filho," em seguida para o ombro direito pronunciando "e Espírito Santo" e finalmente para o esquerdo com a palavra final "Amém," que significa "Assim seja."

A colocação dos dedos unidos na testa, peito e ombros tem um profundo significado e representa a forma mais antiga do sinal da cruz adotada e usada nos tempos primários do cristianismo. Colocando os três dedos unidos na testa pedimos a Deus que ilumine e purifique os nossos pensamentos; colocando-os no peito solicitamos inspiração para dignos e elevados sentimentos; passando-os para os ombros direito e esquerdo imploramos ao Senhor, que nos de forças para conseguirmos vencer o mal e tornar-nos dignos do nome de CRISTÃOS.

O sinal da santa cruz, feito com o movimento da nossa mão, representa o mesmo que o próprio nome de nosso Senhor crucificado, pronunciado com profunda fé.

Diz São Círio de Jerusalém: "Não devemos envergonhar-nos de professar o Crucificado; façamos o sinal da cruz com ' toda atenção na testa e sobre tudo: sobre o pão, que comemos, sobre: os vasilhames, dos quais bebemos; façamo-lo nas entradas e nas saídas, quando ao deitar e quando ao levantar, quando nos encontramos em viagem e quando estamos descansando. O sinal da Santa Cruz é o poderoso escudo oferecido aos pobres como presente e aos fracos sem esforço algum. Pois isto é a Graça de Deus, sinal para os fiéis, e tormento para os espíritos maus" (Ensinamentos 13:36).

78. Qual é a origem da utilização do sinal da Santa Cruz?

Já nos tempos dos Santos Apóstolos era costume utilizarem-se os Cristãos do sinal da Santa Cruz, para selar a sua Fé em Cristo Crucificado.

Sobre isto podemos encontrar provas nas obras de Santo Dionísio Areopagita (Da hierarquia eclesiástica, cap. 2 e 5) e de Tertuliano (Da Ressurreição, cap. 8).

Sobre Deus

79. Qual é o significado do nome "Deus"?

Deus é o Ser infinitamente perfeito, que existe em Eternidade, quer dizer, que sempre existiu, existe agora e existirá por todos os séculos dos séculos. "E disse Deus a Moisés: Eu Sou o que Sou" (Êxodo 3:14). "Ninguém lia semelhante a Ti, ó Senhor: Tu és grande, e grande é o Teu Nome em força" (Jerem. 10:6).

80. Que quer dizer, que Deus é infinitamente perfeito?

Quer dizer, que Deus é possuidor de todas as perfeições em supremo sentido.

81. Do que deduzimos a própria existência de Deus e a Sua perfeição infinita?

A existência de Deus e a Sua infinita perfeição deduzimos:

    1. da Revelação Sobrenatural,
    2. do mundo visível: "Disse o néscio no seu coração: Não há Deus" (Salmos 14:1) — O santo e sábio rei Davi considerou louco aquele que duvidasse da existência de Deus.
    3. Da voz da nossa consciência: "Os quais (pagãos) mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando justamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os" (Rom. 2:15). "Ninguém duvida da existência de Deus, a não ser aquele a quem representaria vantagem a inexistência de Deus" (Beato Agostinho).

82. Por que afirmamos no nosso CREDO, que cremos em um só Deus?

Pela rejeição das crenças pagãs, que, divinizando as Obras de Deus, mantiveram a fé errônea em muitos deuses.

83. Como ensinam as Sagradas Escrituras sobre a Verdade que há um só Deus?

Ensina-nos o santo apóstolo Paulo: "Não há outro Deus, senão Um só." "Todavia para nós há um só Deus, o Pai de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós para Ele" (1 Cor.. 8:4-6).

"Ora ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém (1 Tim. 1:17).

"A ti te foi mostrado, para que soubesses que o Senhor é Deus: nenhum outro há senão Ele" (Deuteronômio 4:35).

"O Senhor, nosso Deus é o único Senhor" (Deut.: 6, 4).

"Eu sou o Senhor, e não há outro: fora de mim não há Deus" (Isaías. 45:5).

84. Podemos conhecer ao próprio Deus diretamente com auxílio de nossos sentidos físicos?

Não podemos, pois Deus é infinitamente superior à compreensão não somente dos homens, mas também dos Anjos.

"Aquele que tem, Ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver" (1 Tim. 6:16).

85. Que sabemos sobre Deus, ou melhor, o que sabemos sobre as Suas perfeições, da Revelação Divina?

Da Revelação Divina conhecemos as seguintes perfeições de Deus, que devemos bem gravar em nossa memória:

    1. Deus é o Espírito Universal.
    2. Deus não foi criado, é Criador de tudo que existe.
    3. Deus é eterno.
    4. Deus é bom e benigno.
    5. Deus vê tudo e está ciente de tudo o que acontece no Universo.
    6. Deus é a justiça Suprema.
    7. Deus é a Verdade Suprema e a Maior Fidelidade.
    8. Deus é Todo-poderoso.
    9. Deus é Onipresente, quer dizer, presente em todos os lugares ao mesmo tempo.
    10. Deus é Imutável, q. d. nunca muda.
    11. Deus é a Sabedoria Suprema.
    12. Deus é a Santidade Magna.
    13. Deus é a Misericórdia por excelência.
    14. Deus é infinitamente altruísta, q. d. não deseja nada para Si.
    15. Deus é o mais abençoado.

86. Que quer dizer: Deus é o Espírito Universal?

Quer dizer, que Deus é Espírito, possuidor do mais perfeito Intelecto e da mais perfeita Vontade, não possuindo, porém, o corpo.

"Deus é Espírito" (S. João 4:24).

87. Que quer dizer: Deus não foi criado?"

Significa, que Deus não recebeu a Sua existência e a Sua perfeição de quem quer que seja.

88. Que significa: "Deus é eterno?"

Quer dizer, que Deus sempre existiu, existe e existirá.

"Antes que os montes nascessem, ou que Tu formasses a terra e o mundo, sim de eternidade em eternidade, Tu és Deus" (Salmo 90:2). "Eu, o Senhor, o primeiro, e com os últimos Eu mesmo" (Isaías 43:40). "Para que o saibais, e me creiais e entendais que Eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá" (Isaías 43:10). Diz o santo apóstolo Paulo, que o Evangelho é pregado "Por ordem do Deus Eterno" (Rom. 14:25). (Convém anotar, que em algumas das edições do Novo Testamento de origem ocidental, edições essas que não carecem de arbitrariedades, os versos 24, 25 e 26 são omitidos no capítulo 14 da Epístola de S. Paulo aos Romanos). "Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, que era o que é,, e que há de vir" (Apocalipse 4:8). "E o Seu Reino não terá fim" (S. Lucas 1:33).

89. Que quer dizer Deus é bom e benigno?

Quer dizer, que Deus é cheio de amor para com a Sua criação, e que tudo que representa a bondade e a benignidade tem origem em Deus. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Não há bom senão um só, que é Deus" (S. Mat. 19:17). "Deus é caridade (amor)" (1 S. João. 4:16). "Piedoso e benigno é o Senhor, sofredor e de grande misericórdia. O Senhor é bom para todos, e as Suas misericórdias são sobre todas as Suas obras" (Salmo 145:8-9; convém anotar, que nas edições ocidentais o Salmo 144 equivale ao 145).

90. Que quer dizer: "Deus vê tudo?"

Significa, que Deus sabe tudo que era, que é e que será no futuro. Ele conhece todos os nossos pensamentos, mesmo os mais secretos e pessoais. "Sabendo, que se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que os nossos corações, e conhece todas as coisas" (1 S. João 3:20). "E não ha criatura alguma, encoberta diante Dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos Daquele com quem temos que tratar" (Hebr. 4:13).

91. Que significa que Deus é a "Justiça Suprema?"

Quer dizer, que Deus julga os homens conforme os seus merecimentos; beneficia os bons, caridosos e piedosos, castigando os maus, egoístas e desprovidos de espírito religioso. "Porque o Senhor é justo, e ama a justiça; o Seu rosto está voltado para os retos" (Salmo 11:7). "Justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, e Santo em todas as Suas obras" (Salmo 145:17). "da manifestação da Justiça de Deus; o qual recompensará cada um segundo as suas obras; porque para com Deus não há exceção de pessoas" (Rom. 2:5, 6, 11). "O Pai, que sem exceção de pessoas, julga segundo a obra de cada um" (1 Pedro 1:17).

92. Que quer dizer: "Deus é a Verdade Suprema e a Maior Fidelidade?"

Significa, que Deus sempre fala verdade nas Suas Revelações aos homens, cumprindo também sempre o que Promete. "Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa; porventura diria Ele e não faria? ou falaria e não o confirmaria?" (Números 23:19). "Aquele que Me enviou é verdadeiro" (S. João 8:26).

93. Que significa que "Deus é Todo-poderoso?"

Quer dizer, que Deus pode tudo e que tudo que existe repousa na base inabalável de Sua força e de Sua vontade. "Porque falou e tudo se fez; mandou e logo tudo apareceu" (Salmo 33:9). "Mas o nosso Deus está nos Céus; faz tudo que Lhe apraz" (Salmo 115:3). "Tudo o que o Senhor quis, Ele o fez, nos Céus e na terra, nos mares e em todos os abismos" (Salmo 135:6).

"Porque para Deus nada é impossível" (S. Lucas 1:37).

94. Que quer dizer: "Deus é Onipresente?"

Significa, que Deus está presente em todos os lugares; no céu e na terra, nos fundos dos mares e dentro das minas as mais profundas. Em lugar algum do universo podemos esconder-nos Dele, pois Ele preenche tudo com Seu supremo amor. "Para onde me irei do Teu Espírito, ou para onde fugirei da Tua face? Se subir ao céu, Tu ai estás, se fizer nos abismos a minha cama, eis que Tu aí estás também. Se tomar as asas de alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a Tua mão me guiará... Nem ainda as trevas me escondem de Ti" (Salmo 139:7-10, 12).

95. Qual o significado da afirmativa, que "Deus é Imutável?"

Quer dizer, que Ele permanece sempre o mesmo, exatamente como era no princípio, agora e por todos os séculos dos séculos.

"O Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (S. Tiago 1:17). "Porque eu, o Senhor, não mudo" (Malaquias. 3:6).

96. Como devemos compreender, que Deus é a "Sabedoria Suprema?"

Pela beleza maravilhosa e sábia, com que ficou organizado o universo; vê-se também da própria Revelação Divina, que contém verdades tão elevadas, tão sublimes e antes de tudo tão sábias, que somente o próprio Deus podia ser o autor delas. "Ó Senhor, quão variadas são as Tuas obras! todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das Tuas riquezas" (Salmo 104:24). "O profundidade das riquezas, tanto da Sabedoria, como da Ciência de Deus" (Rom. 11:33). "Ora ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém" (1 Tim. 1:17).

97. Que quer dizer: "Deus é a Santidade Magna?"

Pois não existe ninguém, nem jamais existirá, nem possa existir, mais santo do que Deus em Santíssima Trindade. Deus é o mais santo de todos os santos, pois é alheio ao pecado, só ama o belo e o bom e só deseja o bem e a felicidade para o Universo, que criou. "Porque Eu sou o Senhor vosso Deus: portanto vós vos santificareis, e sereis santos, porque Eu sou Santo" (Lev. 11:44).

98. Que quer dizer: "Deus é a Suprema Misericórdia?"

Significa, que Deus está sempre disposto a perdoar os nossos pecados, quando demonstramos arrependimento sincero e profundo. A maior demonstração, porém, da misericórdia divina, foi o fato de ter Deus sacrificado o próprio Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, que sofreu padecimentos atrozes e morreu na cruz, para a remissão dos nossos pecados. "Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta a seu caminho e viva" (Ezequiel 33:11).

99. Que significa, que "Deus é infinitamente altruísta?

Quer dizer, que Deus não deseja nada para Si, mas sim almeja única e exclusivamente o bem e a felicidade das Suas criaturas. "Deus tão pouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas" (Atos 17:25).

100. Que quer dizer: "Deus é o mais abençoado?"

Quer dizer, que Deus concentra em Si todas as bênçãos que possam ser imaginadas, como também aquelas que nunca podem ter surgido na mente humana, por causa da nossa imperfeição e fraqueza. "Bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores" (1 Tim. 6:15).

101. Se Deus é realmente um Espírito, por que encontramos nas Sagradas Escrituras termos como: "Coração de Deus," "Olhos de Deus," Ouvidos de Deus," "As mãos de Deus" etc?

Neste caso as Sagradas Escrituras utilizam a fala puramente humana, a fim de tornar mais compreensíveis as diversas faculdades de caráter divino, por exemplo: "O Coração de Deus significa a bondade e o amor de Deus," "Os Ouvidos e os Olhos de Deus" significam a Suprema Sabedoria de Deus," "A Mão de Deus" quer dizer a Força Suprema de Deus, etc.

102. Se Deus é Onipresente (presente em todos os lugares), por que então falamos que Deus está no céu ou então na igreja?

Deus realmente é Onipresente (presente em todos os lugares), porém no céu encontra-se em glória toda especial, pois ali é a morada dos espíritos luminosos (arcanjos, anjos), e de almas felizes, gozando a eterna alegria. Também na igreja Deus encontra-se manifestado de forma ampla e concreta personificado nos Santos Sacramentos, evocado em preces e diversos rituais da Santa Igreja Ortodoxa, etc. Disse o próprio Salvador: "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou Eu no meio deles" (S. Mat. 18:20).

103. Como devemos entender as palavras do "CREDO" "Creio em um só Deus?"

Devemos entender estas palavras como aplicadas ao Mistério da Santíssima Trindade.

104. Em que consiste o Mistério da Santíssima Trindade?

Consiste em ser Deus UM-Só em três pessoas distintas.

105. Como se chamam essas três Pessoas de Deus?

Chamam-se:

1. O Pai.

2. O Filho.

3. O Espirito Santo.

Todas as três Pessoas formam Um Deus em Santíssima Trindade eternamente unida e indivisível.

106. Onde encontramos a explicação sobre a Santíssima Trindade no Novo Testamento?

Os principais trechos do Novo Testamento que tratam sobre este assunto são os seguintes: "Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (S. Mat. 28:19). "Porque três são os que testificam no Céu: O Pai, O Verbo e o Espírito Santo; e estes três são UM" (l Epístola de S. João 5:7).

107. Podemos encontrar o testemunho sobre a Santíssima Trindade no Antigo (Velho) Testamento?

No Velho Testamento encontramos também o testemunho sobre a Santíssima Trindade, porém com menor precisão: "Pela palavra do Senhor foram feitos os Céus e todo o exército deles pelo Espírito da Sua boca" (Salmo de Davi 33:6, Edição da Sociedade Bíblica Internacional). "E clamavam uns para os outros dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos" (Isaías 6:3).

108. Como é possível que Um Deus fique em três Pessoas?

Não podemos compreender a plenitude deste supremo Mistério de Deus em virtude da enormidade das nossas imperfeições e pecados, porém temos a profunda e inabalável fé nesta verdade principal e fundamental da nossa Santa Religião Ortodoxa, inclinando-nos com temor e humildade perante a grandiosidade do Criador de acordo com as palavras santificadas do Apóstolo das Nações: "Ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus" (1 Epístola aos Coríntios do S. Ap. Paulo 2:11)

109. Essas três Pessoas da Santíssima Trindade possuem características iguais ou diferem entre si?

As três Pessoas da Santíssima Trindade possuem a mesma essência e a mesma natureza divinas, sendo infinitamente perfeitas.

110. As três Pessoas da Santíssima Trindade possuem a mesma dignidade divina?

Sim. Todas as três Pessoas da Santíssima Trindade possuem a mesma dignidade divina. Da mesma forma como o Deus Pai é o Deus Verdadeiro, o Deus Filho também é Deus Verdadeiro e o Deus Espírito Santo também o é; com tudo isto, porém, em três Pessoas acha-se Um-único Deus.

111. Em que concerne a diferença entre as três Pessoas de Deus?

A diferença entre as três Pessoas da Santíssima Trindade consiste nos seguintes pontos:

    1. O Deus Pai não é criado nem procede de pessoa alguma.
    2. O Deus Filho é criado pelo Deus Pai antes de todos os tempos.
    3. O Deus Espírito Santo procede do Deus Pai antes de todos os tempos.

"O Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei" (Salmo de Davi 2:7 — Edição da Sociedade Bíblica Internacional). "Mas quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim" (S. João 15:26).

112. Quais são os atos principais que atribuímos a cada uma das três Pessoas da Santíssima Trindade?

Atribuímos os seguintes:

1. A Deus Pai — A Criação do Universo;

2. A Deus Filho — A Remissão dos pecados do gênero humano;

3. A Deus Espírito Santo — A iluminação e santificação dos espíritos.

113. Qual é a denominação que damos às três Pessoas de Deus em conjunto?

Denominamos: Santíssima Trindade.

114. Por que denominamos Deus "Onipotente?"

Porque Ele tem em Seu poder Supremo tudo e governa sobre todo o mundo visível e invisível por meio de leis universalmente sábias, por Ele estabelecidas.

115. Que quer dizer tem tudo em Seu poder Supremo?

Significa, que o Universo inteiro existe e perdura em maravilhoso equilíbrio e com absoluta precisão enquanto Deus Todo-poderoso assim o deseja.

116. Que quer dizer governa sobre todo o mundo visível e invisível?

Quer dizer, que as leis divinas se estendem sobre todos os seres vivos, sobre toda a natureza e finalmente sobre todos os seres invisíveis e que nada acontece dentro do Universo sem vontade de Deus ou sem a Sua direta permissão.

117. E as desgraças e sofrimentos são da mesma forma dirigidos por Deus para o bem?

As desgraças e os sofrimentos são da mesma forma dirigidos por Deus para o bem dos homens, pois deles utiliza-se Deus para castigar e corrigir os maus, aplicando-os, de outro lado, aos bons, a fim de expor à prova os valores espirituais e a resistência moral deles, tornando-os mais dignos da felicidade eterna no Céu.

118. Que significam as palavras do "CREDO": "Criador do Céu e da terra, de tudo que é visível e invisível?"

Significam que tudo que existe foi criado por Deus, e que nada surgiu sem a Vontade. "No princípio criou Deus os céus e a terra" (1 Moisés 1:1). "Porque nele, foram criadas todas as coisas que há nos Céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele" (Epíst. de S. Paulo aos Colossenses 1:16).

119. Que significa a palavra "Criar?"

Criar, quer dizer fazer algo do nada.

 

Sobre a Criação do Mundo,

Os Anjos e Satanás

120. Com que finalidade Deus criou o mundo?

Deus criou o mundo:

    1. Para a Sua maior glória.
    2. Para a felicidade e o benefício da criação (dos seres criados).

121. Como devem ser compreendidas as coisas discriminadas no "CREDO" como sendo "tudo que é invisível?"

Sob esta discriminação devemos entender todo o mundo invisível, quer dizer o mundo espiritual ao qual pertencem também os anjos.

122. Que são os anjos?

São as criaturas divinas, as mais perfeitas. Espíritos Puríssimos, Possuidores de intelecto superior, da livre e espontânea vontade, de enorme poder, porém, sem possuir corpo visível e material.

123. Com que finalidade criou Deus os anjos?

Deus criou os anjos para ser por eles adorado e louvado, para ser por eles amado e para ser por eles servido. "Bendizei ao Senhor, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra" (Salmo de David 103:20, Edição da Sociedade Bíblica Internacional).

124. Que significa a palavra "anjo?"

Esta denominação descende da palavra grega "Angellose significa mensageiro. A razão desta denominação consiste no fato de Deus utilizar-se com freqüência dos anjos para transmitir as Suas mensagens aos homens. Temos como exemplo a anunciação da Nossa Senhora sempre Virgem Maria, pelo arcanjo Gabriel.

125. Em quantos grupos se dividem os anjos?

Os anjos dividem-se em 9 coros angélicos:

    1. Anjos.
    2. Arcanjos.
    3. Principados.
    4. Poderes.
    5. Potestades (As Forças).
    6. Domínios.
    7. Tronos.
    8. Querubins.
    9. Serafins.

(Epístola de S. Paulo aos Efésios 1:21).

126. Como eram os anjos quando criados por Deus?

Na ocasião da sua criação os anjos eram Espíritos bons e felizes; possuidores da Graça Santificadora e de todas as Virtudes.

127. Todos os anjos continuam a ser bons e todos eles conservaram a divina Graça Santificadora?

Não! Nem todos os anjos são bons e nem todos eles conservaram a Graça Santificadora. Alguns deles perderam essa Graça divina e tornaram-se espíritos maus.

128. Por que se tornaram espíritos maus?

Na realidade foram criados bons e puros, como aliás todos os anjos, porém devido ao orgulho não mais obedeceram às ordens de Deus. Desta forma abandonaram Deus, caindo em horríveis erros de egoísmo, orgulho e maldade. O Santo Apóstolo Judas Tadeu diz que esses anjos são "Aqueles que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação" (Epístola de S. Judas, 6).

129. Como Deus castigou os anjos orgulhosos?

Destituindo-os dos seus poderes e derrubando-os dos Céus para o inferno. "Eu via Satanás, como raio, cair do céu" (Ev. de S. Lucas 10:18). "Porque se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo" (Epístola de S. Pedro 2-4).

130. Como denominamos os anjos decaídos?

Os anjos que caíram em pecado de orgulho e foram por Deus condenados ao inferno, denominamos: "Espíritos maus, "Espíritos malignos," "Diabos," "Demônios" etc.

131. Que significa a palavra -diabo- e por que denominamos assim os espíritos maus?

A palavra "diabo" procede do têrnio grego "diavolos" e significa tentador. Assim denominamos os espíritos maus pela razão de procurarem eles constantemente tentar os homens para as más ações, induzindo-os a pensamentos errôneos e desejos impuros. Assim falou Nosso Senhor Jesus Cristo aos pecadores: "Vós tendes por pai o diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (Ev. de S. João 8:44).

132. Como são os anjos bons?

São, afetos a nós, amam-nos, guardam os nossos corpos e as nossas almas do mal, induzem-nos para os atos bons e oram por nós a Deus Todo-misericordioso.

133. Como denominamos os anjos especialmente destinados por Deus para nos guardarem do mal?

Denominamos "Anjos de guarda."

134. De onde surgiu esta denominação?

Surgiu das próprias Sagradas Escrituras: "Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos" (Salmo de Davi 91:11, Edição da "Sociedade Bíblica Internacional"). Além deste trecho da Bíblia Sagrada temos vários outros trechos da mesma fonte tirados da vida de Lot, de Tobias, etc.

135. Todos nós temos um anjo de guarda?

Sem dúvida, cada um de nós possui um anjo de guarda. Temos para isto o testemunho nas palavras do próprio Salvador: "Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus" (Ev. de S. Mateus 18:10).

136. Quais são os nossos deveres perante os anjos de guarda?

São os seguintes:

    1. Adorá-los e obedecerás suas instruções, apresentar-lhes a nossa gratidão e orar a eles.
    2. Imitá-los em tudo, quer dizer: Ser puros, piedosos, serviçais e prontos a servir e ajudar o nosso próximo.

137. Como se comportam a nosso respeito os espíritos maus?

Como verdadeiros encarniçados inimigos: odeiam-nos e invejam-nos, induzem-nos ao pecado, procuram por todos os meios prejudicar o nosso corpo e a nossa alma e antes de tudo desejam a nossa eterna condenação aos suplícios do inferno. Temos provas disto nas Sagradas Escrituras:

A condenação de Adão e Eva, induzidos para o mal e à desobediência a Deus por Satanás, os suplícios de Jó, infligidos por Satanás, o terrível crime de traição cometido por Judas contra a sagrada pessoa do Divino Mestre Jesus, crime este insuflado por Satanás etc. Além disto encontramos nas Sagradas Escrituras inúmeros casos de alienação mental provocada pelo diabo. "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (1 Epístola de S. Pedro 5:8).

138. De que forma devemos combater as tentações de Satanás?

Vigiando, orando e combatendo-as ininterruptamente. Devemos tomar cuidado para não nos tornarmos semelhantes aos espíritos malignos ou nos tornarmos sócios deles por causa de alguma tentação.

139. Que foi criado antes — o mundo visível ou o mundo invisível?

O mundo invisível foi criado antes do mundo visível "A Profissão de Fé Ortodoxa," 1 Parte. Perg. 18).

140. Como falam as Sagradas Escrituras sobre a criação do mundo?

No princípio Deus criou do nada o céu e a terra. A terra era sem forma e vazia. Em seguida Deus procedeu na criação da seguinte maneira:

    1. No primeiro período, chamado na Bíblia "primeiro dia," Deus criou a luz.
    2. No segundo período, chamado "segundo dia," Deus criou o firmamento celeste, ou melhor, o céu visível;
    3. No terceiro período, chamado "terceiro dia," Deus criou as grandes bacias aquáticas (oceanos, mares, lagos e rios), continentes, ilhas e a plantação que recobre a terra.
    4. No quarto período, chamado "quarto dia," Deus criou as estrelas, o sol e a lua;
    5. No quinto período, chamado "quinto dia," Deus criou os peixes, o mundo animal aquático e os pássaros;
    6. No sexto período, denominado "sexto dia," Deus criou o mundo animal que vive em terra firme, os répteis e os ofídios e finalmente, como coroamento da sua criação, criou Deus o homem;
    7. No sétimo período, denominado "sétimo dia," Deus descansou da sua obra.

Esta é a razão por que o sétimo dia da semana é destinado ao descanso e ao louvor a Deus. Antigamente era denominado Saabath, que significa descanso ou sossego. A Santa Igreja Ortodoxa denominou o sétimo dia da semana "Domingo," em memória eterna de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, que se sacrificou voluntariamente para a salvação da humanidade (Dominus em latim significa "Senhor") sendo a denominação Sábado (Saabath) conservada em honra do sétimo dia da criação.

141. Foram os seres visíveis criados na mesma aparência, como podemos apreciá-los atualmente?

Não! Quando Deus criou os seres visíveis "Tudo quanto tinha feito, eis que era muito bom" (Gen. 1:31). Tudo, portanto, era puro, belo e tranqüilo.

142. Como fala o Antigo Testamento sobre a criação do homem?

Deus em Santíssima Trindade disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gen. 1:26).

E criou Deus o corpo do primeiro homem do pó da terra e insuflou-lhe o espírito da vida. E denominou Deus o primeiro homem "Adão," nome que significa "Tirado da terra."

"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida: e o homem foi feito alma vivente" (Gen. 2:7).

Após ter criado o homem, levou-o o Senhor Deus para o jardim maravilhoso denominado Éden ou Paraíso, subordinou a ele todos os animais, tornando-o um senhor verdadeiro da terra. Em seguida fez descer em Adão um pesado sono, durante o qual tomou uma das costelas do seu corpo, formando dela a mulher, que denominou Eva e que devia tornar-se a mãe do gênero humano. (Gen. 2: 15-22). (*)

Este trecho da Bíblia possui um profundo sentido simbólico, que, todavia, exigiria, para ser elucidado, amplas e demoradas pesquisas teológicas, que, naturalmente, não podem entrar no reduzido estudo, que é representado nesta obra.

 

Sobre o Homem, o Paraíso e o Pecado

dos Primeiros Homens

143. De que é composto o homem?

É composto do corpo e de alma imortal.

144. Como devemos compreender que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus?

Devemos compreender, que a semelhança do homem com o seu Criador consiste em "Verdadeira justiça e santidade" (Epístola de S. Paulo aos Efésios 4:24) e também no fato de possuírem os homens uma alma imortal dotada de intelecto e de livre e espontânea vontade.

145. Que é o espírito (ou o fôlego) da vida?

O espírito ou o fôlego da vida é justamente a alma que pode ser descrita também como Espírito imortal.

146. Para que criou Deus os homens?

Deus criou os homens, para ser por eles louvado, amado e servido e para que os mesmos alcançassem a eterna felicidade no caminho da compreensão das verdades divinas.

"Deus quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade" (1 Epístola de S. Paulo a Timóteo 2:4).

147. Foram os primeiros homens iguais àqueles que vemos atualmente?

Quando Deus criou os primeiros homens: Adão e Eva, foram eles bons e felizes pois:

    1. Possuíam a Graça Santificadora, eram santos e justos.
    2. Possuíam o direito à eterna felicidade no céu.
    3. Possuíam um intelecto superior.
    4. Possuíam um corpo imortal.
    5. Desconheciam qualquer sofrimento.
    6. Viviam no Paraíso.

148. Que significa a palavra "Paraíso"?

Significa "jardim" e discrimina o lugar onde viviam os primeiros homens após serem criados por Deus.

149. O Paraíso em que viviam os primeiros homens era um lugar material ou espiritual?

Para os corpos de Adão e Eva, o Paraíso era um lugar material abençoado e visível; para as almas deles, porém, era um lugar espiritual, que correspondia a uma convivência espiritual com Deus e contemplação espiritual de Suas obras divinas. (Sermão de São Gregório o Teólogo 38:42, e "A Teologia" de S. João de Damasco, livro 2 cap. 12, lin. 3).

150. Os dons recebidos de Deus foram de propriedade exclusiva dos primeiros homens?

Não! Os dons e os benefícios que Deus deu aos primeiros homens deveriam passar também aos seus descendentes.

151. Para que Eva foi criada da costela de Adão?

Para que o gênero humano inteiro fosse descendente de um só corpo e para que possa amar-se socialmente e ajudar-se mutuamente em todos os séculos.

152. Como se chamavam as duas árvores misteriosas e sobrenaturais que cresciam no Paraíso?

No Paraíso cresciam duas árvores de qualidades misteriosas e sobrenaturais:

    1. "A árvore da vida," cujos frutos tornavam o corpo humano imortal e não sujeito às enfermidades.
    2. "A árvore do conhecimento do bem e do mal."

153. Qual foi o preceito que Deus deu aos homens quando lhes entregou o Paraíso?

Deus proibiu aos homens comer os frutos da "árvore do conhecimento do bem e do mal," advertindo-os de que se acaso transgredissem essa ordem, morreriam.

154. Os primeiros homens permaneceram para sempre bons e felizes?

Não. Tornaram-se infelizes de corpo e de alma em virtude de grave pecado que cometeram.

155. Que pecado foi este?

Atenderam os conselhos de Satanás, comeram os frutos da árvore proibida, q. d. da "árvore do conhecimento do bem e do mal."

156. Após terem cometido este pecado, os primeiros homens pediram perdão a Deus?

Não! Após terem pecado, os primeiros homens não chegaram a pedir perdão ao seu Criador, culpando-se, entretanto, reciprocamente.

157. Quais foram as conseqüências do pecado dos primeiros pais da humanidade?

Foram as mais desastrosas. Além de tornarem-se profundamente infelizes de corpo e de alma, sofreram Adão e Eva os seguintes castigos:

    1. Atraíram sobre si a ira de Deus e a Sua maldição.
    2. Perderam a Graça Santificadora.
    3. Perderam o direito à eterna felicidade, merecendo a eterna condenação.
    4. O intelecto deles ficou anuviado e a vontade tornou-se predisposta ao mal.
    5. Foram condenados a inúmeras enfermidades, dores etc., e finalmente à morte.
    6. Foram expulsos do Paraíso.

158. O pecado de Adão e Eva prejudicou somente a eles?

Não. Não, prejudicou somente a eles, mas estendeu-se a todos os seus descendentes, acompanhado de todas as conseqüências terríveis daí advindas.

"Pelo quê, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens." (Epístola de S. Paulo aos Romanos, 5:12).

159. Como se chama, portanto, o pecado com o qual todo ser humano nasce para a vida terrena?

Chama-se "Pecado Original" ou "Pecado hereditário," pois herdamo-lo dos primeiros homens.

160. Quem, dos nascidos na Terra, se libertou do "Pecado Original?"

O único nascido na Terra, que se libertou deste pecado, foi o Filho Unigênito de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, nosso Senhor Jesus Cristo. "E nele não há pecado" (1 Epístola de S. João 3:5).

 

Sobre o Destino, a Graça,

e a Providência Divina

161. Que denominamos "Destino de Deus?"

Destino de Deus, quer dizer tudo aquilo que Deus decidiu e se destina à eterna felicidade dos homens.

162. Podem os homens alcançar a eterna felicidade, exclusivamente por seus próprios meios e esforços?

Não, não podem alcançar a eterna felicidade exclusivamente por seus próprios meios, pois a felicidade, para a qual são destinados, é sobrenatural, podendo ser alcançada só por meio da "Graça" com a condição de que a mesma fique estreitamente coligada com a fé.

163. Que é a "Graça de Deus?"

A "Graça de Deus" é a salvadora Força Divina.

164. O Destino de Deus é irrevogável em relação à felicidade dos homens?

Sim, em relação à felicidade dos homens é irrevogável apesar de que atualmente a permanência do homem na Terra não pode ser considerada feliz.

Deus, em sua infinita misericórdia, sabendo do erro em que cairam os primeiros homens, destinou à humanidade outro meio de salvação, abrindo-lhe novo caminho para a felicidade eterna por intermédio do Seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo. "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo" (Epístola de S. Paulo aos Efésios 1:4).

165. Que fez Deus, para que os homens, após terem cometido o pecado original, Pudessem novamente tornar-se felizes?

Deus prometeu a Adão e Eva enviar o Divino Salvador, para a salvação do gênero humano.

166. Quem é este prometido Salvador do gênero humano?

É nosso Senhor Jesus Cristo.

167. Em que consiste o destino de Deus em relação ao gênero humano?

Consiste em oferecer à criatura a graça santificadora como também meios seguros para alcançar a felicidade eterna. O homem, portanto, que procura estes meios e segue os preceitos da Sagrada Religião Cristã Ortodoxa, pode ter a certeza de que o destino de Deus lhe será irrevogavelmente aplicado e que a recompensa final de todas as lutas contra o mal e o pecado, será a eterna felicidade. "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho" (Epistola de S. Paulo aos Romanos 8:29).

"Pois, já que Ele previu, que uns vão aproveitar-se: da livre e espontânea vontade para o bem e outros para o mal, assim também destinou a uns para a glória e a outros condenou" (Profissão da Fé dos Patriarcas do Oriente, Artigo 2.9).

168. Após a criação do mundo e do homem, Deus abandonou a Sua criação ou continua a exercer a Sua supervisão paternal sobre ela?

Deus jamais abandonou Sua criação e principalmente o homem, continuando a exercer o Seu poder paternal por meio da Providência Divina.

169. Que é a Providência Divina?

É a ininterrupta ação do poder, da sabedoria e da bondade divinos, por intermédio dos quais Deus mantém a existência e as forças dos seres por Ele criados, inclusive dos homens; dirigindo-os para objetivos bons, conservando-os em boas ações, refreando o mal e combatendo as forças infernais.

"Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?" (Ev. de S. Mateus 6:26). Neste trecho maravilhoso do Santo Evangelho transpira a infinita providência divina não somente em relação ao homem, mas a toda a natureza.

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.

Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. Porque ele te livrará do laço do passarinharia, e da peste perniciosa.

Ele te cobrirá com as Suas penas, e debaixo das Suas asas estarás seguro: a Sua verdade é escudo e broquel.

Não temerás espanto noturno nem seta que voa de dia.

Nem peste que anda na escuridão, nem mortandade que assola ao meio-dia.

Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido.

Somente com os teus olhos olharás e verás a recompensa dos ímpios.

Porque Tu, O Senhor, és o meu refúgio! O Altíssimo é a tua habitação.

Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.

Porque aos Seus Anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.

Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.

Pisarás o leão e o áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.

Pois que tão encarecidamente me amou, também Eu o livrarei; Po-lo-ei num alto retiro, porque conheceu o meu Nome.

Ele me invocará, e Eu lhe responderei; estarei com Ele na angústia; livrá-lo-ei e o glorificarei.

Dar-lhe-ei abundância de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.

(Salmo de Davi 91 — Edição da "Sociedade Bíblica Internacional").

Neste Salmo do Santo Rei e Profeta Davi encontramos múltiplas provas da providência divina.

 

SOBRE O ARTIGO SEGUNDO DA

"PROFISSÃO DE FÉ ORTODOXA"

E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigenito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos.

Luz de Luz, Deus Verdadeiro de Deus Verdadeiro, gênito e não criado, consubstancial ao Pai, por quem foram' feitas todas as coisas.

170. Que quer dizer: Jesus Cristo, Filho de Deus?

Quer dizer, que Jesus Cristo é o Filho de Deus, pela Sua divindade na qualidade de Segunda Pessoa da Santíssima Trindade; o Filho de Deus recebeu o nome de "Jesus," quando nasceu na terra como homem; já os profetas do Antigo Testamento o denominaram "Cristo."

171. Qual é o significado do nome "Jesus"?

Redentor ou Salvador.

172. Por que razão o Filho de Deus é denominado Redentor ou Salvador?

Porque nos livrou do pecado e da condenação eterna, trazendo-nos a graça e a salvação.

173. Quem e por que deu este nome ao Filho de Deus?

O nome Jesus foi dado ao Filho de Deus por ordem do Criador e por intermédio do arcanjo Gabriel, e porque Ele nasceu para salvar o gênero humano.

"Eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; E dará à luz um filho, a quem chamarás Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Ev. de S. Mateus 1:20-21).

174. Que significa o nome "Cristo?"

Quer dizer — Messias ou Ungido.

175. De onde surgiu o nome Ungido?

Vem da antiga tradição de ungir com óleos a cabeça do rei durante a coroação. Assim "Ungido" equivale a "Coroado" ou melhor — o Rei. A Santa Igreja Cristã Ortodoxa transmite o dom do Espírito Santo por intermédio dos óleos Sagrados.

176. Nosso Senhor Jesus Cristo é o único denominado Ungido?

Não! Era costume antigamente chamar de Ungido os reis, grandes sacerdotes dos templos e os profetas, que recebiam por intermédio de óleos o poder supremo em dignidade e respeito.

177. Por que então damos a nosso Senhor esta denominação?

É chamado "Ungido" ou "Messias," porque a natureza humana de que é revestido possui todos os dons do Espírito Santo em supremo desenvolvimento, concentrando desta forma de modo o mais elevado a sabedoria dos profetas, a santidade dos grandes sacerdotes e o poder máximo dos monarcas, sendo o Supremo Mestre, Sacerdote e Rei.

178. Por que chamamos a Jesus Cristo — "Senhor?"

Porque Ele é o Verdadeiro Deus e Salvador dos homens. Por esta razão, também, pertencemos a Ele integralmente. Podemos ler nas Sagradas Escrituras a demonstração da verdadeira divindade do nosso Senhor:

"No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Ev. de S. João 1:1). Neste misterioso trecho do Evangelho o santo apóstolo João Evangelista denomina nosso Senhor Jesus Cristo de "Verbo" (Em grego "Logos"). "E sabemos que já o Filho de Deus é vindo (veio), e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (1 Epístola de S. João 5:20).

179. Por que denominamos Nosso Senhor Jesus Cristo "O Unigênito Filho de Deus?"

Assim denominamos nosso Senhor Jesus Cristo pela razão de ser Ele e Só ÊLE, o Filho de Deus, nascido da essência do Deus Pai, sendo por isso mesmo da mesma essência que o Criador, e infinitamente superior a todos os anjos e homens santos, que recebem freqüentemente o nome de "Filho de Deus" pelo fato de possuírem um a graça divina toda especial. Como aliás diz o Santo Evangelho: "A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome" (Ev. São João 1:12).

180. Quais são os trechos das Sagradas Escrituras nos quais nosso Senhor é denominado "Filhode Deus?"

Eis alguns trechos:

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Ev. S. João 1:14).

"Deus nunca foi visto por alguém, o Filho Unigênito, que está no seio do Pai, este, o fez conhecer" (Ev. São João 1:18).

181. Por que o "Credo" nos ensina que o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo é nascido do Pai?

O "Credo" ensina-nos desta forma para indicar as qualidades (características) especificas, pelas quais o Deus Filho difere do Deus Pai, e do Deus Espírito Santo.

182. Por que razão lemos no "Credo," que Nosso Senhor nasceu do Deus Pai antes de todos os séculos?

Para que ninguém possa afirmar que houve tempo, quando a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade não havia existido; a fim de concretizar a inabalável verdade, que Nosso Senhor Jesus Cristo é o Filho de Deus igualmente eterno, como Deus Pai.

183. Que significam as palavras do "Credo" — Luz de Luz?

Essas palavras são destinadas a explicar no exemplo da luz visível o supremo mistério do nascimento do Deus Filho do Deus Pai. Olhando o sol, vemos a luz; desta luz solar nasce a luz que preenche o nosso mundo visível; no entanto, tanto a luz solar, quanto a luz que nos cerca é sempre a mesma luz, da mesma natureza e das mesmas características. Assim, também, Deus Pai é a Luz Suprema e o Filho de Deus, nascido dele, é igualmente a mesma Luz Suprema e eterna. Chegamos, pois, à compreensão, que Deus Pai e Deus Filho representam a mesma Luz indivisível da mesma Natureza Divina. "E a luz resplandece nas trevas" (Ev. de São João 1:5).

184. Que significam as palavras do "Credo" — Deus Verdadeiro de Deus Verdadeiro?

Significam, que o Filho de Deus é Deus Verdadeiro da mesma forma como o é Deus Pai.

185. De onde podemos saber que nosso Senhor Jesus Cristo é Filho de Deus e Deus Verdadeiro?

Inúmeros trechos das Sagradas Escrituras indicam esta sagrada Verdade:

"E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Ev. de São Mateus 3:17).

"O sumo sacerdote, que lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus bendito? E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre, as nuvens do céu" (Ev. de São Marcos 14:61-62).

"E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo" (Ev. de São Mateus 16:16). "Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu e Deus meu" (Ev. de São João 20:28).

"E sabemos que já o Filho de Deus é vindo (veio), e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro, e no que é verdadeiro estamos, isto é, Seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (1 Epístola de São João 5:20).

A Sagrada Tradição da Santa Igreja Cristã Ortodoxa do Oriente possui inúmeras provas para a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo.

186. Por que razão esta definição do "Credo" — Nascido mas incriado?

Esta definição foi necessária para demonstrar o erro do herege Ário, condenado no primeiro Concilio Universal de Nicéia no ano 325 da Era Cristã. Ário afirmava que nosso Senhor Jesus Cristo não era a Segunda Pessoa da Santíssima Trinda